Curta Metragem – UFSCar, São Carlos

O Corte e os cortes.

É tão engraçado assistir o filme próximo de estar pronto. É estranho pensar agora como esteve em algum momento no plano das idéias! É engraçado pensar o momento em que houve um estalo: ” e se fizermos um filme que conte desse cara, que teve esse lapso de sanidade ao invés de loucura?…Essa história, tão interessante, que contaram pra gente… ” E só então, fomos descobrir os documentários do Hirzman, e descobrir os locais em si – o hospital psiquiátrico, o CAPS – e descobrir os atores e as pessoas… Desvendar um processo de busca dos personagens, e depois de locação, e das camadas de linguagem que completaram a história em diversos níveis…

É assustador, assistir então, ainda depois de toda realização – e a mudança que já sofreu o filme com ela – o quanto a montagem é a re-realização de um novo filme (ou re-re-re). A essência é claro, está ali, mas é tudo novamente retrabalhado – a abordagem da história, que é o principal.

O olhar do montador é um olhar distante do grupo de realização. É ótimo que isso aconteça, temos alguém que não está preso a amores pelo projeto: ahn eu amo tanto aquela ação, aquele diálogo, aquele… Mas, se precisa sair, precisa sair…E é dificil jogar uma cena fora, mas, tivemos que jogar uma cena INTEIRA fora.

Quanto menos, melhor – é um lema geral de professores do audiovisual e de profissionais. Quanto mais conciso, em geral, o filme fica melhor. Eu concordo, em muito, mas não foi tanto o motivo de tirarmos uma cena do filme, foi em muito uma questão narrativa também . A cena não acrescentava mais narrativamente nem mesmo emocionalmente, o fluxo tornou-se melhor sem ela e o filme ganhou…

Uma pena, eu adorava a cena em si, mas no filme, não funcionava…E é tão engraçado como tantas idéias são ótimas na hora e no vamos ver, não “orna”… “Mas aquela movimentação que demorou 2 horas pra gravar e orquestrar, não tá encaixando, putz tem que tirar…”

É e foi uma boa ter opções de tirar e colocar, ainda bem que o grupo trabalhou tanto com os planos pensados como improvisações e diversas coberturas – funcionou! Algum dia talvez seremos um Hitchcock, em que mandaremos o ator andar daqui, parar na marca acolá, olhar a esquerda quando passar na luz X e o câmera acompanhar rigidamente, mantendo 1,5 do ator e far uma curva pra um overtheshoulder quando ele dizer “fui eu”… Haja noção cinematográfica. É um dom conseguir visualizar o filme e ele sair do mesmo modo que o planejamento.

É um dom ainda maior conseguir fazer isso no esquema universitário, onde não se consegue planejar nem a iluminação e a arte , por exemplo, direito porque o dinheiro está sempre perigando e estamos a todo momento pressionados pelo orçamento minguado… Mas, é isso ai, e é por isso que essa lógica de trabalho agora, de fato, conseguimos ver que deu certo.

Algumas coisas, é claro, sempre ficam longe do ideal, mas, não se prender a detalhes – principalmente aqueles que o público realmente não verá! – é tortura. “Ahn aquele plano ali tá aparecendo uma caderneta que não é diegética…Não era pra tá ali…! “. Azar, o que vale do plano é a personagem ali, parada ou falando, a essência da estória que não pode errar (ou ser errada), ai sim, ai não adianta ” a busca do plano perfeito”.

 

Esperamos conseguir que a essência passe e, emocione.

 

DedosCruzados.

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