Curta Metragem – UFSCar, São Carlos

Sabatina Pitangueira: a banca examinadora

O dia da nossa estréia foi também o dia da nossa banca do TCC.  Nós do grupo tínhamos direito de convidar dois integrantes para serem nossos examinadores juntamente com nossa orientadora, Suzana Reck Miranda. Chamamos  Alessandro Carvalho Sales e Christina Toshie Nishio.

Tivemos cerca de 3 horas e meia de discussão sobre o Pitangueira. Inicialmente, o Prof. Dr. Alessandro Sales deu-nos uma análise vista através dos olhos da filosofia sobre o filme e consideramos que foi uma verdadeira aula de cinema. Sentimo-nos privilegiados de podermos ter tido tamanha atenção, dedicação e olhar crítico. Ele, atenciosamente, cedeu-nos um texto que redigiu como análise do filme, o qual publicaremos no nosso blog em alguns dias, e assim, poderão ter uma noção de quão densa e proveitosa foi nossa conversa.

Particularmente, para mim, a fala de Alessandro tocou no acerto de suas interpretações sobre a obra como um todo, cena a cena, falas e falas, ações e fragmentos de ações, e todos arcos dos nossos personagens. Alessandro enxergou cada semente que foi plantada no roteiro, que foi discutida intensamente em grupo, que pensávamos em incluir, às vezes, numa 3ª ou 4ª camada de interpretação do filme….Fiquei, com certeza, emocionada, de ver que conseguimos , dentro de um filme que se propõem não apresentar as coisas como dadas, não apresentar classicamente personagens e protagonistas, não terem ações dadas e evoluções facilmente delineadas, passar  o que planejávamos: a construção de um novo olhar sensível não só com o Outro, mas com o mundo… Plantamos e construímos muitas camadas de signos em Pitangueira e eles floresceram um arco de sentidos que, felizmente, mantivemos algum controle e eram o nosso desejo intimo. Não foi nada fácil e quando vemos que grande parte desses sentidos passaram ilesos por esse trajeto tão perigoso que é o da idéia à realização e à montageme ao filme por fim,  é gratificante.

A fala de Toshie Nishio foi linda, como sempre. A professora sempre trás a luz através do caos, e quem tem chance de conseguir absorver suas aulas na UFSCar e troca de idéias, entende do que falo. Ela iniciou problematizando algumas ideias do Professor Alessandro, e ainda, começou “nodificando” as nossas cabeças com seu trajeto de interpretação do Pitangueira: primeiramente, não entendemos nada, e então, fez-se a luz. Aquela que amarra cada pontinho e pontinho de todo um discurso, trazendo uma verdade maior, uma renovação. Toshie conseguiu colocar-se na nossa pele, de realizadores. Entendeu – e sabe Deus como teve tal sensibilidade – como foi nosso processo de realização de todo o filme – sim, desde escolhas de roteiro, até problemas de set e do filme. Primeiramente, ela indicou percepções das personagens e do ambiente que, realmente, também nos preocupava no inicio do roteiro e que foi algo com que trabalhamos arduamente para resolver: as personagens poderiam estar em qualquer lugar, não necessariamente numa clínica, poderiam ser personagens de tantos outros filmes sem, necessariamente, serem “loucas”, mas sim excêntricas, diferentes, etc… São linhas tênues e isto remonta para o nosso início, o qual tem aqui um post exatamente sobre essa nossa problemática: a indiferenciação do “eles” loucos para com nós, na visita ao Hospital Bezerra de Menezes.

Depois disso, tiveram outras diversas indicações que remeteram a todo nosso processo de realização. Este acima foi um exemplo, outro seria a questão da temática da saúde, e se era necessário ser numa clinica tal estória… E como, a primeira vista, a estória é sobre loucura versus sanidade, mas como através da linguagem poética (ou visão poética) conseguimos achar a brecha essencial para trazer para problematização a outra questão, a questão do amor, do afeto, das ligações intensas. Foi de fato outro trajeto do nosso filme, tinhamos que lidar com a representação “saúde”, “médica” e mesmo dentro disso, fugir de problematizações da área – sem deixar de tê-las em algum nível! – e trazer o que realmente era o nosso mote, a nossa essência: o valor do afeto, o amor, a comunicação pura e a relação que nos mantém humanos, vivos, e fruindo.

Além disso, indicou questões técnicas como problemas de alguns departamentos e etc. Todas interpretações e críticas, apontavam diretamente como o filme é um resultado de todo o nosso processo. Lá estão inscritos cada caminho que escolhemos, cada problema que enfrentamos e aliás, para os de olhos bem abertos, cada caminho que excluímos.

Infelizmente, com tanto tempo de conversa, mal nossa Orientadora pôde falar de fato sobre o filme. Felizmente, é claro, nós tivemos um ano para aproveitar de seus pontos de vista e toda sua dedicação intensa. Nós, sabemos, de coração, o quanto ela se envolveu conosco e consideramos ela como parte de nossa equipe de realização, nossa “equipe técnica”. Esperamos que ela saiba disso.

Por fim, fomos pedidos gentilmente para sair da sala. E esperamos por 40 minutos para sabermos a nossa nota, que foi discutida pelos 03 examinadores. Conseguimos, louváveis, 9,7… Alegria geral, muito menos pela nota. O que é uma nota perto do que tinha sido aquela banca? Como nossa orientadora mesmo avisou, uma bela banca é a melhor aula de nossas vidas. E foi,  e até de escrever já traz uma dor, porque dificilmente teremos novamente esse grande privilégio com obras que faremos…Esperarmos que que tão bons professores se dispunham a conversar 3 horas e meias sobre um filme seu, que tenham assistido, lido um relatório de 100 páginas, e mais não sei o que…

Piscina - Cena 05 - Mudança de José

Enfim,

agradecemos o ver e ouvir ,  o amor, com toda certeza.

Suzana Altero

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